História

Nasceu em 22 de Março de 1959 no Tesoureiro (S. Brás de Alportel) e desde os 21 anos que se dedica à doçaria. O sucesso desta doceira de mão e imaginação cheia, deve-se a 3 factores: a sua avó, uma doceira típica e convencional que lhe transmitiu todos os segredos, saberes e sabores esquecidos no tempo, e à sua teimosia e gulodice, aos quais mistura uma boa dose de criatividade

Desde sempre que o seu grande objetivo de vida era ser independente e lutar para realizar os seus sonhos. Começou a trabalhar com 18 anos como contabilista na fábrica de cortiça do Pai, uma vez que não havia trabalho na altura para os Portugueses, só havia emprego para os retornados recém chegados de África.

Apesar de todo o seu esforço para se dedicar ao negócio de família, depressa se fartou de ser tão pressionada pelo seu Pai e resolveu criar a sua própria independência, e decidiu avançar com o seu projecto de vida quando ficou gravida do seu segundo filho. A sua filha acabou por nascer dia 1 de Janeiro de 1981 e Fátima começou a trabalhar na sua grande aventura de doceira a 4 de Agosto de 1981.

A sua história com a doçaria acompanha o crescimento da sua filha. Há pouco mais de trinta anos foi lhe oferecido uma arroba de açúcar como presente pelo nascimento da sua filha, tradição outrora comum na região. Decidida a utilizar a oferta, lembrou-se de começar a fazer bolos usando também amêndoas que tinha da produção familiar e preservando os sabores, saberes e tradições antigos da doçaria, como era o caso do descascar a amêndoa da região depois de ser demolhada em água a ferver.

Feitas as primeiras tartes de caramelo e amêndoa era hora de ir vendê-las. Como costumava frequentar a praia de Quarteira e, sempre atraída pelo faro da sua gulodice, fazia umas paragens pelas pastelarias. Como considerava que os doces não estavam à altura de um guloso com sentido crítico, ia para casa e inventava.

Os resultados eram bastante agradáveis ao paladar e foi assim que Fátima se lembrou de experimentar vender os seus doces a umas pastelarias de Faro. No primeiro dia levou 5 tartes de amêndoa e qual o seu espanto quando regressou a casa de mão vazias. Assim, no segundo dia fez 10 para tentar vender em Quarteira e, tal como no dia anterior, não sobrou nenhuma. Finalmente, no terceiro dia e depois de ter vendido 15 tartes, concluiu que este seria um bom negocio para investir. Persistente e decidida, Fátima Galego iniciou assim a sua ligação com a doçaria algarvia.




A sua fama de doceira foi circulando de um lado para o outro, deixando inclusive de aceitar empregos em bancos para seguir aquilo que lhe dava prazer fazer. Fátima foi falada, censurada e convidada pela família a desistir, pois, esse trabalho de boleira, era uma atividade pouco digna de uma menina de estudos cuja descendência era de uma família abastada da Cova da Muda, donos de quase toda a cortiça da serra, pela parte da mãe e pela parte do pai fabricante de cortiça de descendia Judia.

Apesar de todos os obstáculos que se foram cruzando no seu caminho, e porque o ?sonho comanda a vida?, Fátima conseguiu, sem o apoio de ninguém abrir uma pequena fábrica de bolos tradicionais e hoje em dia é uma das doceiras mais antigas e de sucesso da região.